Duplo luto.

Estou de luto.
Não estou de preto, mas sinto o luto no coração.
Luto por uma avó-madrinha, que deu o seu último suspiro apenas um dia após recuperar a consciência de tudo em seu redor.
Luto por um amor que se foi, sem que nada o fizesse prever.

Não. Não vou entrar por estradas espinhosas e veredas dolorosamente pessoais, aludindo ao meu grande amor perdido por motivos mesquinhos, de somenos importância.

Vou aproveitar, antes, este espaço para homenagear a grande mulher que se foi ontem, às portas de completar uma idade incrivelmente respeitável: no próximo dia 15 de Setembro, Marieta Pereira completaria 106 anos de idade.

106 anos de vida, na verdadeira acepção da palavra. A Madrinha Marieta viveu com alegria, força, garra, carinho e sempre vontade de aprender mais. Não passava um dia sem que lesse o jornal.

Até ao dia em que, por descuido próprio, teve de amputar uma perna, vivia sozinha, num apartamento do Funchal, adorada pelos vizinhos e sem qualquer recusa em descer todos os dias para o café da urbanização, para tomar o seu garoto.

Os condutores das urbanas já a conheciam e levavam-na orgulhosamente ao centro da cidade, onde a minha madrinha-avó fazia as suas compras, sem qualquer problema matemático, nem sequer de conversão entre o escudo e o euro. Afinal já tinha passado pelo real também.

Com 90 anos de idade, aprendeu a fazer arraiolos. E como aprendeu bem! Quem abre a porta da minha casa, a primeira coisa com que se depara é com um belo tapete de Arraiolos… A autora? Marieta Pereira, menina de mais de 90 anos.

No ano passado, perdeu uma perna e, com ela, a sua adorada independência. Daí à perda de interesse pela vida foi um pequeno salto.

No meu coração, fica a sua figura frágil e sorriso maroto, as nossas brincadeiras, a maneira como me chamava “Marizé” e “querida”, com sotaque profundamente madeirense.

Minha madrinha, sem o ser; minha avô, sem ter o meu sangue, mas, ainda assim, tão amada como uma avó e a única madrinha que eu tive de verdade. No dia anterior à sua morte, recuperou a memória, que tanto falhava e, não sei como, deve ter pressentido que eu estava triste (pelo namoro terminado, coisa que ela não sabia), pois pediu à sobrinha que estava com ela que me mandasse um beijinho.

No dia seguinte, acabou a sua estadia neste mundo. Adormeceu e não voltou a acordar.

Madrinha, um beijo muito grande… Ensine os anjinhos a jogar ao cassino… e tente não fazer batota ;)

Perdi duas pessoas que eram o meu orgulho, mas sinto-me honrada por ter tido o privilégio de conviver, amar e ser amada por ambos.

Até sempre.

Uncategorized @ 1:13 pm, August 24, 2008

Revolta contra a sociedade actual.

Sou uma pessoa revoltada com o caminho que o mundo vai tomando: desde burocracia a volência, passando por abusos de poder e sexuais, pela imoralidade crescente sob a capa de progresso e por políticos que, ao invés de ajudarem o povo, só prejudicam.

Revoltada com a perda de solidariedade, com o egoísmo, com a falta de tempo para quem amamos, pela falta de glamour, cavalheirismo e simples educação, pela liberdade transformada em libertinagem, pela dificuldade de tudo na vida, pelos padrões de estética irrealistas e estúpidos, pelo culto do dinheiro, pela banalização do sexo e da própria vida humana.

Sou alguém que tem um mundo próprio e questiona ferozmente a sociedade do planeta Terra, sonhando com um mundo melhor.

Idealismo aquariano? Utopia típica do meu signo? Talvez, mas se o perder, perco o resto de sanidade mental que ainda me sobra.

Uncategorized @ 8:20 pm, July 12, 2008
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