Amanhã eu vou para São Paulo visitar o meu pai. Faz tempo que não passo uns dias na casa dele e por isso vou ficar lá quase uma semana. Não gosto muito de São Paulo, talvez por não conhecer nada ou talvez seja a velha “rixa” entre cariocas e paulistas.
Meu pai virá buscar eu e a Sil de carro. A viagem, apesar de cansativa, costuma ser divertida, pois conversamos bastante e sempre tem aquele “ar” de aventura que uma viagem convencional não proporciona.
Estou preocupada em ficar uma semana longe de casa, pois a minha mãe tem brigado muito com o meu padrasto. Tenho medo que algo aconteça e eu não esteja aqui, mas já desmarquei essa viagem tantas outras vezes que pode parecer que não quero passar alguns dias com o meu pai.
Espero me divertir em Sampa, quem sabe dessa vez eu consiga convencer o meu pai a me levar na famosa 25 de março. Acreditem, vou muito a Sâo Paulo e nunca coloquei meus pés lá apesar de morrer de curiosidade.
Para quem vêm perguntando sobre a minha recuperação, estou bem melhor, andando corretamente, apesar de não poder exagerar pois ainda tenho três buracos no osso do meu tornozelo.
Irei responder aos comentários daqui há uma semana, quando voltar de viagem, a não ser que meu pai me empreste o pc dele, mas acho que nem assim. Quero curtir um pouco meu paizão pois faz mais de um mês que não o vejo.
Ontem aproveitei meu tempo vago para ler o livro Doze reis e a moça do labirinto do vento da Marina Colasanti. Eu já havia lido o livro dela chamado Uma idéia toda azul que assim como o livro que li ontem é uma reunião de contos, todos surreais e em geral com finais nada felizes. Abaixo o texto do livro que mais gostei.
A Moça Tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo se sentava ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.Depois, lãs mais vivas; quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que, em pontos longos, rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas, se, durante muitos dias, o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava seus dias. Nada lhe faltava. Na hora da fome, tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor-de-leite que entremeava o tapete. E, à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas, tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha e, pela primeira vez, pensou como seria bom ter um marido ao lado. Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E, aos poucos, seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma e foi entrando na sua vida.
Naquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária, disse para a mulher.
E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor-de-tijolo, fios verdes para os batentes e pressa para a casa acontecer.Mas, pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Por que ter casa, se podemos ter palácio?, perguntou.
Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates de prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça, tecendo tetos e portas, e pátios, e escadas, e salas, e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto, sem parar, batiam os pentes, acompanhando o ritmo da lançadeira.Afinal, o palácio ficou pronto. E, entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete, disse.
E, antes de trancar a porta a chave, advertiu:
— Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso, tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos; os cofres, de moedas; as salas, de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. E, tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E, pela primeira vez, pensou como seria bom estar sozinha de novo.Só esperou anoitecer.
Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E, descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear. Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para outro, começou a desfazer o seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois, desteceu os criados e o palácio. E todas as maravilhas que continha.
E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela. A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz que a manhã repetiu na linha do horizonte.
COLASANTI, Marina. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento. 6. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1982.
Sentirei muita falta do meu cantinho e (claro) dos meus amados leitores. Essa noite estarei com o resultado dos awards no ar (assim espero).Beijos e carinhos, fiquem com Deus.
Ama Deus e sua família. É uma pessoa reservada, porém muito gentil. {
03/12 - Sair com o Rafa
05/12 - Entregar pasta do estágio
05/12 - Amigo oculto da facul
13/12 - Abrir cofrinho
18/12 - Aniversário da Mari
25/12 - Natal


ás 18:23 :: Eu estou
Ansiosa :: Post com
1282 palavras
