Sinto-me amarga, um estado que nunca me imaginei. Sempre fui tão doce. Doce sempre foi o meu adjetivo, mas nesses dias sinto que sou amarga. Falo com uma dureza que não queria, mas essa é a minha barreira para não me machucar. Nunca pensei em me ver como uma pessoa dura, talvez como cabeça-dura, mas não como uma pessoa de coração rijo, meu coração sempre foi de gelatina.
Algo dentro de mim mudou, mudou de forma profunda e sei que hoje nada é como era antes, porque eu não sou mais quem eu era. Pareço um bicho ferido e acuado que, morrendo de medo, tenta se proteger rosnando e atacando.
Nunca desejei ser uma pessoa seca, mas sempre vi meu romantismo exagerado como um grande problema. “Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito” já dizia Bertolt Brecht e eu sei que a pessoa que eu amo teme o meu amor e por ele temer e além disso não me amar eu me vejo citando Cazuza porque “Às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais“.
Cheguei a comprar para ele um presente que nunca entreguei. Uma coisa boba a qual queria entregar a ele junto com um beijo e desejar um bom começo de semestre. O embrulho hoje está dentro do meu guarda-roupa esperando por quem o abra, mas talvez ele nunca seja aberto. Não tenho coragem para entregar, não quero posar de boba apaixonada, apesar de ser isso que eu sou. Por maior que seja a amargura no meu coração, ela só existe porque amo, amo desmedidamente, amo de uma forma demente e irracional. Amo porque sou burra demais para me proteger desse sentimento. Eu amo e por isso me machuco todos os dias. É uma ferida que não cicatriza e algo que não para de sangrar. Sei que ele não me ama e seria ingenuidade minha achar que um dia ele vai me amar, mas eu continuo a olhar para o horizonte e fico contemplando o nada de onde nada virá.
Li uma poesia de Florbela Espanca que entendi muito mais com a alma.
“Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados.Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado…
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?…”
(Florbela Espanca)
Não preciso de muito para saber que eu sou, indubitavelmente, a que amo. Queria uma fórmula para esquecer, para apagar do meu coração toda essa maré de sentimentos. Como pode ser indelével uma pessoa que por tão pouco tempo esteve comigo. Creio que o tempo não seja a questão, mas a intensidade dos sentimentos, eles sim duram, vieram antes, estiveram durante e persistem após.
O ódio não é o contrário do amor e sim a indiferença e se sou ríspida com ele o único motivo é porque o amo demais para tratá-lo como uma pessoa qualquer.
Como diria o último romântico, Lulu Santos, “As canções mais tolas tem esse defeito, sabem diagnosticar o que vai no peito” e para finalizar o post uma canção que sabe dizer exatamente como eu me sinto e é um trecho dessa música que dá título a esse post.
Quase um segundo
Eu queria ver no escuro do mundo
Aonde está o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te ligueiSerá que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?Ás vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em pazQuais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te ligueiSerá que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
(Cazuza)
Um post puramente reflexivo, vocês acabaram de caminhar na minha mente.
Beijos e carinhos, fiquem com Deus.
Ama Deus e sua família. É uma pessoa reservada, porém muito gentil. {
08/09 - Aniversário da Cinthia
17/09 - Seminário sobre a estética em "O triste fim de Policarpo Quaresma"



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